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Apresentação
Publicado em 08/03/2015 às 19:10filosofia do espírito é uma filosofia estética” e “os homens desprovidos de sentido estético são nossos pseudofilósofos”. Hölderlin
Ementa
O grupo define-se pela Investigação ampla e plural da arte e do belo para especular sobre o tema da formação humana. Mediante o exercício contemplativo e a crítica dirigida às mais diversas modalidades de expressão artística, pretende operar por arranjos ou transposições que orientem a pesquisa em filosofia da educação em sua dimensão “poética”: de um “fazer, produzir” à procura de uma grafia que alie a arte à filosofia e ambas à educação. Propõe-se, desse modo, a uma experiência de estudos e pesquisas que recupere o sentido original da palavra “theoros”: ser expectador, mas um expectador que imagina e inventa meios para, em nosso caso, ver e expressar melhor a promoção do humano e dos seus possíveis.
Objetivo
Estabelecer relações entre estética e educação mediante combinações entre filosofia da educação, literatura e imagens plásticas, considerando:
a) O alcance formativo e educativo dessas relações e combinações.
b) O valor heurístico das mesmas para pesquisar/teorizar sobre formação/educação.
c) A investigação das forças estéticas que concorrem para a elaboração de conceitos e/ou teorias formativas/educativas.
d) A filosofia da educação e suas outras linguagens.
Coordenadora: Profª Marlene de Souza Dozol
Integrantes:
Priscilla Stuart da Silva (D)
Lia Presgrave Reis (D)
Luana Aversa (M)
Sobre a imagem que identifica nosso grupo:
Este objeto retangular, feito de madeira, acompanhado por seis pincéis e que ainda contém resquícios de tinta na lateral, era o principal instrumento de trabalho dos escribas no Antigo Egito. Acompanhou, como se sabe, o desenvolvimento dessa civilização por centenas de anos. Esse, especificamente, data de 1000 A.C.
A imagem remete às primeiras caligrafias, num tempo em que a escrita era uma arte e a palavra era imagem. Os escribas, mestres e doutores nessa arte, sobreviveram na continuidade dos tempos antigos e, de lá, do interior do silêncio de seus espaços, evocam esse grande tempo de paciências solitárias.Também na arte da escritura a paz está na mão e nos olhos que pensam as coisas pequenas, experimentam o “infinito” que carregam e sabem que elas exigem vagar.
Foi dessa inspiração que surgiu uma paleta de escriba como logo de nosso grupo de estudos sobre estética e suas possíveis transposições para a educação mediante um registro filosófico que incorpora o pensamento à arte. Para chegar a essa imagem, inventamos a nossa própria “maiêutica”.
Começamos com a simples disposição de imagens das mais diversas sobre nossa mesa de estudos: quadros, esculturas, fotos, templos, desenhos abstratos, mosaicos, imagens de gatos e, sim, paletas de escribas …
Fiquemos com as duas últimas imagens, pois foram elas as escolhidas por nós e que nos permitiram um jogo combinatório que aliou o pensamento à imaginação.
Comecemos pela imagem do gato.
Amante dos estudos, o gato materializa o silêncio e é capaz de segurar as rédeas do tempo. Age sem pressa e com cuidado. Amigo do pensamento, é flexível, caçador, curioso e criativo. Está entre a natureza e a cultura, pois é um animal que se mantém selvagem ao não se deixar domesticar integralmente, mantendo sua liberdade de ação e de movimento. Ao mesmo tempo, insere-se em nossa vida, adapta-se, atento ao que se passa ao redor. O gato, assim como a “graça”, é um gênero de beleza, pois nos provoca a sensação de uma imaterialidade que passa pela matéria, de uma alma infinitamente ligeira e subtraída à pesadez (Bergson). O gato pode ser pensado como uma “obra de arte” viva. Como um poema in natura.
Deixemos esse “mínimo tigre de salão” (Neruda) a sugerir uma sofisticada tensão entre a natureza e a cultura. Voltemos à paleta do escriba para, em seguida, reencontrá-lo ainda mais uma vez.
A habilidade manual e técnica junto à paciência do escriba que desenha cada letra – seja na pedra, na madeira ou no papiro – atento ao seu aspecto estético e ao conjunto de seus significados e mistérios, nos lembrou que o trabalho intelectual também pode ser experimentado nesses moldes, à maneira de uma arte produtiva que guarda e comunica. Contudo, exige ampliação, pois esse gênero de trabalho, mesmo quando cópia, “interpreta”, pode criar e surpreender com originalidades, fruto que é dos exercícios do espírito-corpo.
A imagem da paleta nos ensinou que o trabalho intelectual nos moldes de uma “arte” admite a “imitação” calma e rigorosa, mas a flexibilidade do gato em seus movimentos e posições inimagináveis nos convida a “criar”, ou, numa linguagem mais próxima da estética contemporânea, a “construir” com as referências que vamos coletando e dispondo por meio de variados, abertos e múltiplos arranjos a gerarem outros.A “olhos que pensam” (como Cézane definia os seus), nossa imagem ou logo combina o material e o formal, convida a “um fazer”. Em compasso de espera, nos parece cúmplice do que está por vir …
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Defesas
Publicado em 05/09/2015 às 0:20 -
Eventos
Publicado em 08/03/2015 às 21:51Estética convida
MINI-CURSO SEPEX: 15ª SEMANA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO
Educação e Estética: sobre os alimentos do espírito
21/10/2016, 14H. Carga horária: 4 horas
Ministrantes: Luana G. Aversa e Priscilla Stuart da Silva
TÓPICOS ABORDADOS
O debate em Filosofia da Educação: as relações entre filosofia, educação e literatura em torno do pensamentode Jean-Jacques Rousseau e Walter Benjamin
Seminário Especial – Dimensões estéticas da Formação Humana
O Grupo de Estudos Estética e Educação promoveu, ao final desse segundo semestre, duas aulas especiais vinculadas à disciplina “O Romantismo como linguagem filosófica e formativa”, ministrada pela Profª Marlene de Souza Dozol, no Programa de Pós-Graduação em Educação. A primeira, sobre o pintor espanhol Goya e a segunda elegeu como tema a “melancolia”. Tais aulas especiais representam, para nós, o marco inicial de uma série de outras, ainda por vir, cujo objetivo é o de promover exercícios que conjuguem a arte ao pensamento. Não temos, a princípio, uma lista de temas definidos para a realização de tais aulas para o ano que vem. Nem poderíamos. Porque a idéia é que estes brotem de um desejo genuíno de conhecer ou compreender aquilo que nossas leituras, nossas conversas e nossas escritas vão perguntando ou sugerindo. A divulgação desses pequenos e qualificados eventos terá o formato de Aula Especial e será sempre feita mediante a seguinte chamada: O Grupo de Estudos Estética convida … Sintam-se, pois, convidados.
Estética divulga